Calendário Maia - Calendário Civil - Ja’ab’ / Jaab / Haab


Calendário Civil MesoAmericano

O Calendário Civil MesoAmericano, também conhecido como Calendário Agrário, é chamado de "JA’AB’" ("HAAB") pelos Maias e de "XIUHPOHUALLI" pelos Astecas e é um ciclo composto por 365 dias divididos em 18 meses de 20 dias mais um curto período de 5 dias, dias que são preparatórios para o ano seguinte. Os meses podem ser contados de 0 a 19 (0 a 4 no último mês) ou de 1 a 20 (1 a 5 no último mês), dependendo do sistema empregado (os maias clássicos contavam de 0 a 19, enquanto os astecas contavam de 1 a 20, por exemplo).

Uma espécie de "correção natural", que elimina a necessidade da contagem de anos bissextos, é o ciclo de 1508 Ja’ab’ empregado pelos Maias, que é equivalente a 1507 anos solares, com uma exatidão cerca de 70 vezes superior ao sistema de correção vigente no calendário gregoriano, o ano bissexto.

O "marcador" do ano no Calendário Civil (o dia que dá "nome" e confere suas influências ao ano) é sempre o primeiro dia do ano (menos no sistema asteca), e, conseqüentemente, o glifo marcador também é o primeiro dia de cada mês (no asteca é o último dia de cada mês), visto que cada mês tem 20 dias, mesmo número de glifos presentes no Calendário Sagrado, Tzolk’in. Existem cinco possíveis grupos de marcadores, e cada grupo possui 4 glifos, que estão sempre a 5 dias de distância um do outro, cada um deles representando uma das quatro direções, uma vez que a diferença entre o Calendário Sagrado e o Calendário Civil é de 105 (365 - 260 = 105) dias. Podemos concluir que a progressão do marcador, ano a ano, é de UM na trezena (ciclo de 13) e CINCO no glifo (ciclo de 20). Os possíveis grupos são (nomes maias dos glifos, com nomes astecas entre parênteses):

Grupo 1: Imix (Cipactli), Kimi (Miquiztli), Chuwen (Ozomahtli) e Kib’ (Cozcacuauhtli)
Grupo 2: Ik’ (Ehecatl), Manik’ (Mazatl), Eb’ (Malinalli) e Kab’an (Ollin)
Grupo 3: Akb’al (Calli), Lamat (Tochtli), B’en (Acatl) e Etz’nab’ (Tecpatl)
Grupo 4: K’an (Cuetzpalin), Muluk (Atl), Ix (Ocelotl) e Kawak (Quiahuitl)
Grupo 5: Chikchan (Coatl), Ok (Itzcuintli), Men (Cuauhtli) e Ajaw (Xochitl)

No sistema do Calendário Civil de Tikal, por exemplo, o ano 2008/2009 equivale à influência do dia 10 Caban (Movimento/Terra). Sendo assim, o marcador que irá reger o período 2009/2010 será o dia 11 Ik (Vento), uma vez que 11 vem imediatamente após o 10 no ciclo de 13, enquanto Ik aparece imediatamente cinco glifos após Caban. Após 11 Ik, temos os anos 12 Manik, 13 Eb e 1 Caban. Dessa maneira, giramos 4 (direções, cada uma representada por um único glifo específico) vezes 13 (trezena) anos (4 x 13 = 52 anos) até retornarmos ao ponto de partida, que nesse exemplo foi 10 Caban. O ciclo de 52 anos, também conhecido como a cerimônia do "Fogo Novo", é o ciclo que sincroniza o Calendário Civil de 365 dias com o Calendário Sagrado de 260 dias, englobando todas as combinações entre eles (ou seja, fazendo retornar ao ponto de partida em ambos os ciclos). Os glifos e nomes clássicos para os meses, no Calendário Civil MAIA, são os seguintes:


Glifos tradicionais do Calendário Civil Maia


As diferentes tribos/localidades tinham autonomia no Calendário Civil, ou seja, iniciavam o seu ano em diferentes alturas e também utilizavam diferentes grupos de glifos como marcadores de ano, bem como diferentes nomes para os meses (inclusive por falarem línguas diferentes).

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